# Sinais de alerta no desenvolvimento da linguagem, por idade

Categoria: Desenvolvimento · Publicado em 19/07/2026 · Autoria: Ana Karolline Figueredo dos Santos · Leitura de 6 minutos

> “Cada criança tem o seu tempo” é verdade. Mas esse tempo tem limites, e conhecer esses limites é o que permite agir cedo, quando a intervenção funciona melhor. Este guia mostra o que esperar em cada fase e o que merece uma avaliação.

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Antes de começar

Dois cuidados. O primeiro: as idades abaixo são referências, não regras. Uma criança pode estar um pouco fora delas e estar bem. O segundo: um sinal isolado raramente quer dizer alguma coisa. O que importa é o conjunto, e é isso que a avaliação olha.

Dito isso, existe um erro que vemos com frequência e que gostaríamos de evitar: o de esperar. “Vamos ver até os 3 anos.” “O primo dele também demorou.” “Menino fala mais tarde.” Quando o sinal está lá, esperar não custa nada só na aparência. Custa o tempo em que o cérebro aprende mais rápido.

Até 9 meses

**O que esperar:** o bebê sorri de volta, olha para quem fala com ele, vira quando ouve a voz da mãe, faz sons de vogais e começa a balbuciar (“bababa”, “mamama”). Gosta de brincadeiras de rosto, como esconder e aparecer.

**Sinais que merecem atenção:** não balbucia, não responde a sons, não olha para o rosto de quem fala, não sorri de volta, parece pouco interessado em interagir.

Aos 12 meses

**O que esperar:** aponta para pedir e para mostrar, dá tchau, imita gestos, entende o próprio nome e algumas palavras do dia a dia (“não”, “dá”, “vem”), faz sons com intenção de se comunicar. Algumas crianças já falam uma ou duas palavras.

**Sinais que merecem atenção:** não aponta, não imita gestos, não olha quando é chamado, não usa sons para chamar atenção, não compartilha o olhar com o adulto (por exemplo, olhar para o brinquedo, depois para você, depois para o brinquedo de novo).

O apontar é um dos sinais mais importantes desta fase. Uma criança que aponta para mostrar algo está dizendo “olha isso comigo”. É a base da comunicação.

Aos 18 meses

**O que esperar:** fala em torno de 10 a 20 palavras com intenção, entende pedidos simples sem gesto (“pega a bola”), aponta para partes do corpo quando perguntada, brinca de faz de conta simples (dar comida à boneca, fazer o carrinho andar).

**Sinais que merecem atenção:** nenhuma palavra com intenção, não entende pedidos simples, não aponta, não brinca de faz de conta, não imita.

Aos 2 anos

**O que esperar:** em torno de 50 palavras ou mais, começa a juntar duas (“quer água”, “mamãe vem”), entende ordens de dois passos, aponta para figuras em livros, nomeia objetos conhecidos. A fala ainda não é toda clara, e isso é normal.

**Sinais que merecem atenção:** menos de 50 palavras, não junta duas palavras, usa mais gestos do que palavras para tudo, fala só para si ou repete trechos sem função, perdeu palavras que já falava.

**Sobre a criança que “entende tudo”:** aos 2 anos, compreender bem é um bom sinal. Mas não é garantia de que a fala vai vir sozinha. Se a criança entende muito e fala muito pouco, isso merece avaliação. [Escrevemos sobre isso.](https://decollarefonoaudiologia.com.br/blog/ele-entende-mas-nao-fala)Aos 3 anos

**O que esperar:** frases de três ou mais palavras, faz perguntas (“o que é isso?”, “onde?”), conta coisas simples que aconteceram, a fala é entendida pela maior parte das pessoas fora de casa, mesmo com algumas trocas de sons.

**Sinais que merecem atenção:** a fala é difícil de entender fora da família, frases muito curtas, a mesma palavra sai de jeitos diferentes a cada vez, a criança se frustra ao tentar falar, não faz perguntas, não sustenta uma troca de turnos na conversa.

A inconsistência (a mesma palavra sair diferente a cada tentativa) é um sinal que aponta para a possibilidade de transtorno motor de fala e merece avaliação específica. [Explicamos a diferença aqui.](https://decollarefonoaudiologia.com.br/blog/apraxia-nao-e-todo-atraso-de-fala)
Aos 4 anos e depois

**O que esperar:** frases longas e bem estruturadas, fala quase toda clara (alguns sons como “r” e grupos como “pr” podem levar mais tempo), conta histórias com começo, meio e fim, conversa com outras crianças.

**Sinais que merecem atenção:** trocas de sons persistentes que dificultam a compreensão, dificuldade em contar o que aconteceu, frases desorganizadas, dificuldade em seguir instruções mais longas, isolamento nas brincadeiras por não conseguir se comunicar.

Em qualquer idade

- Perda de habilidades que a criança já tinha (regressão).
- Diagnóstico de autismo, síndrome genética, paralisia cerebral ou qualquer condição que afete a comunicação. A intervenção não precisa esperar.
- Terapia em andamento há muito tempo sem evolução perceptível.
- Você tem uma sensação persistente de que algo não está certo. Essa sensação costuma ter fundamento, e avaliar é a forma de tirá-la da dúvida.

> Se estiver tudo bem, você sai com orientações e tranquilidade. Se houver algo, a intervenção começa no melhor momento possível. Só quem espera perde.

O que fazer

Converse com o pediatra e peça uma avaliação fonoaudiológica. Na Decollare, atendemos a partir de 9 meses, e a avaliação é feita para responder exatamente à pergunta que você tem: está tudo bem, ou tem algo aqui? [Escreva para a gente](https://decollarefonoaudiologia.com.br/contato) com a idade da criança e o que você tem observado.

**Aviso.** Este texto é informativo e não substitui a avaliação de um profissional. Os marcos citados seguem referências de desenvolvimento amplamente utilizadas e podem variar entre crianças. 

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Responsável técnica: Ana Karolline Figueredo dos Santos · CRFa 6-10873 · Responsável técnica