Antes de começar
Dois cuidados. O primeiro: as idades abaixo são referências, não regras. Uma criança pode estar um pouco fora delas e estar bem. O segundo: um sinal isolado raramente quer dizer alguma coisa. O que importa é o conjunto, e é isso que a avaliação olha.
Dito isso, existe um erro que vemos com frequência e que gostaríamos de evitar: o de esperar. “Vamos ver até os 3 anos.” “O primo dele também demorou.” “Menino fala mais tarde.” Quando o sinal está lá, esperar não custa nada só na aparência. Custa o tempo em que o cérebro aprende mais rápido.
Até 9 meses
O que esperar: o bebê sorri de volta, olha para quem fala com ele, vira quando ouve a voz da mãe, faz sons de vogais e começa a balbuciar (“bababa”, “mamama”). Gosta de brincadeiras de rosto, como esconder e aparecer.
Sinais que merecem atenção: não balbucia, não responde a sons, não olha para o rosto de quem fala, não sorri de volta, parece pouco interessado em interagir.
Aos 12 meses
O que esperar: aponta para pedir e para mostrar, dá tchau, imita gestos, entende o próprio nome e algumas palavras do dia a dia (“não”, “dá”, “vem”), faz sons com intenção de se comunicar. Algumas crianças já falam uma ou duas palavras.
Sinais que merecem atenção: não aponta, não imita gestos, não olha quando é chamado, não usa sons para chamar atenção, não compartilha o olhar com o adulto (por exemplo, olhar para o brinquedo, depois para você, depois para o brinquedo de novo).
O apontar é um dos sinais mais importantes desta fase. Uma criança que aponta para mostrar algo está dizendo “olha isso comigo”. É a base da comunicação.
Aos 18 meses
O que esperar: fala em torno de 10 a 20 palavras com intenção, entende pedidos simples sem gesto (“pega a bola”), aponta para partes do corpo quando perguntada, brinca de faz de conta simples (dar comida à boneca, fazer o carrinho andar).
Sinais que merecem atenção: nenhuma palavra com intenção, não entende pedidos simples, não aponta, não brinca de faz de conta, não imita.
Aos 2 anos
O que esperar: em torno de 50 palavras ou mais, começa a juntar duas (“quer água”, “mamãe vem”), entende ordens de dois passos, aponta para figuras em livros, nomeia objetos conhecidos. A fala ainda não é toda clara, e isso é normal.
Sinais que merecem atenção: menos de 50 palavras, não junta duas palavras, usa mais gestos do que palavras para tudo, fala só para si ou repete trechos sem função, perdeu palavras que já falava.
Sobre a criança que “entende tudo”: aos 2 anos, compreender bem é um bom sinal. Mas não é garantia de que a fala vai vir sozinha. Se a criança entende muito e fala muito pouco, isso merece avaliação. Escrevemos sobre isso.
Aos 3 anos
O que esperar: frases de três ou mais palavras, faz perguntas (“o que é isso?”, “onde?”), conta coisas simples que aconteceram, a fala é entendida pela maior parte das pessoas fora de casa, mesmo com algumas trocas de sons.
Sinais que merecem atenção: a fala é difícil de entender fora da família, frases muito curtas, a mesma palavra sai de jeitos diferentes a cada vez, a criança se frustra ao tentar falar, não faz perguntas, não sustenta uma troca de turnos na conversa.
A inconsistência (a mesma palavra sair diferente a cada tentativa) é um sinal que aponta para a possibilidade de transtorno motor de fala e merece avaliação específica. Explicamos a diferença aqui.
Aos 4 anos e depois
O que esperar: frases longas e bem estruturadas, fala quase toda clara (alguns sons como “r” e grupos como “pr” podem levar mais tempo), conta histórias com começo, meio e fim, conversa com outras crianças.
Sinais que merecem atenção: trocas de sons persistentes que dificultam a compreensão, dificuldade em contar o que aconteceu, frases desorganizadas, dificuldade em seguir instruções mais longas, isolamento nas brincadeiras por não conseguir se comunicar.
Em qualquer idade
- Perda de habilidades que a criança já tinha (regressão).
- Diagnóstico de autismo, síndrome genética, paralisia cerebral ou qualquer condição que afete a comunicação. A intervenção não precisa esperar.
- Terapia em andamento há muito tempo sem evolução perceptível.
- Você tem uma sensação persistente de que algo não está certo. Essa sensação costuma ter fundamento, e avaliar é a forma de tirá-la da dúvida.
Se estiver tudo bem, você sai com orientações e tranquilidade. Se houver algo, a intervenção começa no melhor momento possível. Só quem espera perde.
O que fazer
Converse com o pediatra e peça uma avaliação fonoaudiológica. Na Decollare, atendemos a partir de 9 meses, e a avaliação é feita para responder exatamente à pergunta que você tem: está tudo bem, ou tem algo aqui? Escreva para a gente com a idade da criança e o que você tem observado.
Aviso. Este texto é informativo e não substitui a avaliação de um profissional. Os marcos citados seguem referências de desenvolvimento amplamente utilizadas e podem variar entre crianças.