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Comunicação Aumentativa e Alternativa: toda criança precisa de uma voz

Se o seu filho não fala, ou fala pouco, ele não precisa esperar a fala chegar para começar a se comunicar. A CAA dá a ele um jeito de pedir, recusar, escolher, comentar e contar o que aconteceu, hoje. Fomos a primeira clínica de Governador Valadares a trabalhar com isso, e continuamos sendo referência.

Comunicação Aumentativa e Alternativa: toda criança precisa de uma voz
Pioneiros na cidadeFormação internacional em CAA pela Universidad de las Américas, México.
O que é

Comunicação alternativa é linguagem, e não um aplicativo

Comunicação Aumentativa e Alternativa é o conjunto de recursos e estratégias que permitem que uma pessoa se comunique quando a fala não é suficiente. Pode ser um gesto, uma prancha com figuras, um livro de comunicação, um tablet com um sistema de símbolos ou um dispositivo acionado pelo olhar.

O recurso, porém, é a parte menor. Entregar um tablet com um aplicativo de comunicação para uma criança e esperar que ela “fale” por ele é como dar um livro em francês para alguém que nunca ouviu francês. A criança precisa aprender a linguagem daquele sistema, e as pessoas ao redor precisam usá-lo com ela, todos os dias.

Por isso o nosso trabalho não termina na entrega de um comunicador. Montamos, junto com a família, um projeto de comunicação.

O projeto de comunicação

A partir da avaliação da criança, planejamos:

  • Quais palavras e funções comunicativas ela precisa primeiro: pedir, recusar, chamar, comentar, perguntar, brincar.
  • Qual vocabulário e quais estruturas de linguagem serão ensinados, e em que ordem.
  • Qual recurso faz sentido para as habilidades motoras, visuais e cognitivas dela: baixa tecnologia, alta tecnologia ou os dois.
  • Como a família, a escola e os cuidadores vão usar o sistema no dia a dia, porque a criança só aprende a se comunicar por ele se vê os outros se comunicando por ele também.

Depois, ensinamos a criança a usar o sistema, ensinamos os adultos a modelar e acompanhamos a evolução, ampliando o vocabulário conforme ela cresce.

O direito de se comunicar existe independentemente de a criança falar ou não.

Os recursos que usamos

Trabalhamos com tecnologia assistiva que Governador Valadares ainda não conhecia, sempre escolhida para aquela criança:

  • PODD (Pragmatic Organisation Dynamic Display). Sistema de livros de comunicação organizados por intenção comunicativa, que permite à criança dizer qualquer coisa, e não só pedir. Existe em versão impressa e digital.
  • TD Snap. Sistema robusto de comunicação por símbolos para tablets e iPads, com vocabulário amplo e organizado para o desenvolvimento da linguagem.
  • Acesso por olhar (eye gaze). Para crianças com comprometimento motor importante, que não conseguem apontar ou tocar. O dispositivo detecta para onde a criança olha e ela seleciona os símbolos com os olhos.
  • Pranchas, cartões e livros impressos. Baixa tecnologia, mas altíssimo valor: acompanham a criança no banho, na piscina, na escola, e não dependem de bateria.
  • Gestos e sinais, quando fazem sentido como apoio.

Para quem é

  • Crianças que não falam, por qualquer motivo: autismo, apraxia de fala grave, paralisia cerebral, síndromes genéticas, deficiência intelectual.
  • Crianças que falam pouco ou de forma pouco inteligível e se frustram por não serem compreendidas.
  • Crianças que falam, mas não usam a fala de forma funcional (ecolalia, falas de desenhos) e precisam de apoio visual para organizar a linguagem.
  • Crianças em terapia motora de fala que precisam se comunicar enquanto a fala é construída.
“Se ele usar a prancha, vai parar de tentar falar?” Essa é a dúvida mais comum, e a resposta das pesquisas é clara: não. A CAA não atrapalha o desenvolvimento da fala e, em muitos casos, apoia. Uma criança que consegue se comunicar fica menos frustrada, interage mais, recebe mais linguagem de volta. Quando a fala é um objetivo possível para aquela criança, trabalhamos as duas coisas juntas.

O que a família pode esperar

  • Uma forma de comunicação mesmo quando a fala é limitada ou ausente.
  • Menos frustração, e com ela menos choro e menos comportamentos ligados à dificuldade de se expressar.
  • Mais interação social, em casa e na escola.
  • Desenvolvimento da linguagem: vocabulário, frases, funções comunicativas.
  • Autonomia para expressar desejos, sentimentos, opiniões, recusas e ideias.
  • Apoio ao desenvolvimento da fala, quando esse é um objetivo possível.
  • Uma identidade como comunicador. A criança passa a se ver como alguém que tem o que dizer.

Como são as sessões

Nas sessões, a criança aprende o sistema brincando, em situações em que quer muito se comunicar: escolher um brinquedo, pedir mais, mandar parar. A família aprende a modelar, que é usar a prancha ou o tablet enquanto fala, apontando os símbolos, para a criança ver a linguagem acontecendo. Também orientamos a escola, quase sempre, porque é lá que a criança passa boa parte do dia.

O sistema cresce com a criança. Reavaliamos periodicamente e ampliamos o vocabulário e a complexidade conforme ela avança.

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