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Avaliação fonoaudiológica: entender antes de decidir
Nenhuma terapia começa na Decollare sem uma avaliação. Ela não termina em um diagnóstico nem em uma lista de dificuldades. Ela precisa responder a uma pergunta: o que precisamos fazer para essa criança se comunicar e participar melhor da própria vida?
Um processo em três partes
Muitas famílias chegam aqui depois de anos de terapia sem saber, de fato, qual era a dificuldade do filho. Às vezes ouviram “atraso de fala”. Às vezes “apraxia”. Às vezes nada. A avaliação da Decollare existe para dar nome ao que está acontecendo e, a partir disso, escolher o caminho.
1. A conversa com a família
Chamamos de anamnese, mas é uma conversa. Queremos saber como foi a gestação e o nascimento, como o desenvolvimento aconteceu até aqui, quando você começou a notar algo diferente, o que já foi tentado e o que funcionou ou não. Também perguntamos sobre a rotina: como a criança pede as coisas em casa, como reage quando não é compreendida, como brinca, como é na escola.
Essa parte é longa de propósito. Muito do que precisamos saber sobre uma criança está no que a mãe observa todos os dias.
2. A avaliação da criança
Ela é direcionada pelo que a conversa apontou. De forma geral, olhamos para:
- Compreensão da linguagem. O que a criança entende do que é dito, de ordens simples a histórias.
- Expressão da linguagem. Vocabulário, frases, formas de pedir, comentar, perguntar e recusar, com ou sem fala.
- Fala e perfil motor. Quais sons e sílabas a criança produz, com que consistência, e se há sinais de dificuldade no planejamento ou na execução do movimento, o que aponta para um transtorno motor de fala.
- Comunicação funcional. Como ela se comunica na prática: olhar, gestos, apontar, puxar a mão, vocalizar, palavras, prancha.
- Interação e brincar. Como inicia e mantém a interação, como brinca, como reage às tentativas do adulto.
- Necessidade de CAA. Se a criança não fala ou fala pouco, avaliamos quais recursos de comunicação alternativa fazem sentido para ela.
Usamos instrumentos formais quando são indicados e observação estruturada sempre. A criança fica no ritmo dela, brincando, e a família pode ficar na sala. Dependendo da idade e da complexidade, isso acontece em um ou mais encontros.
3. A devolutiva
É o momento em que sentamos com você e explicamos, com calma e em linguagem simples, o que encontramos. Falamos dos pontos fortes da criança, da natureza da dificuldade e da abordagem que indicamos. Você vai ouvir o nome do método e entender por que ele foi escolhido para o seu filho, e não outro.
Você sai com um plano terapêutico por escrito, com objetivos definidos, frequência sugerida e as primeiras orientações para casa. Se entendermos que o caso pede outra especialidade ou uma avaliação complementar (audiologia, neuropediatria, terapia ocupacional), dizemos isso com clareza e ajudamos a encaminhar.
Nossa avaliação não termina em uma lista de dificuldades. Ela responde a uma pergunta: o que precisamos fazer para essa criança se comunicar e participar melhor da própria vida?
Quando procurar uma avaliação
Não existe “cedo demais”. Alguns sinais que merecem atenção, por idade:
- Até 12 meses: não balbucia (“babababa”), não olha quando é chamado, não aponta, não imita gestos como dar tchau.
- 18 meses: não fala palavras com intenção, não aponta para pedir ou mostrar, não parece entender pedidos simples.
- 2 anos: menos de 50 palavras, não junta duas palavras, não brinca de faz de conta.
- 3 anos: a fala é difícil de entender fora de casa, as frases são muito curtas, a criança se frustra ao tentar se comunicar.
- 4 anos ou mais: trocas de sons persistentes, dificuldade em contar o que aconteceu, fala inconsistente (a mesma palavra sai de jeitos diferentes).
- Em qualquer idade: diagnóstico de autismo, síndrome genética, paralisia cerebral ou qualquer condição que afete a comunicação. E também quando a terapia atual não está trazendo evolução.
O que a família recebe
- Relatório de avaliação, que pode ser compartilhado com médicos, escola e outros terapeutas.
- Plano terapêutico por escrito, com objetivos e método indicado.
- Orientações iniciais para a rotina em casa.
- Encaminhamentos, quando necessários.