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Intervenção no autismo: comunicação que funciona na vida real
O trabalho é com aquela criança, do jeito que ela aprende, se comunica e interage, e com todas as pessoas que fazem parte da rotina dela. O objetivo é que ela consiga pedir, recusar, escolher, comentar e participar, dentro e fora da clínica.
Cada criança autista se comunica de um jeito
O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que pode envolver características diferentes de comunicação social, interação, comportamento, interesses e processamento sensorial. Duas crianças com o mesmo diagnóstico podem ter necessidades completamente distintas. Por isso, nossa intervenção não parte de um pacote pronto.
Antes de qualquer coisa, buscamos entender como aquela criança aprende, como se comunica hoje (mesmo sem palavras), como interage com o ambiente e o que facilita ou dificulta a participação dela. A partir daí construímos estratégias de comunicação e linguagem para ela.
As abordagens que usamos
Dependendo do que a avaliação mostrar, a intervenção pode envolver:
- Princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), área em que Ana Karolline tem especialização, usados para ensinar habilidades de comunicação de forma estruturada e mensurável.
- Estratégias de intervenção naturalística, que aproveitam as situações reais e os interesses da criança para criar oportunidades de comunicação.
- Modelo Centrado na Família, com os objetivos definidos junto com os pais e a intervenção estendida para a rotina.
- Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), quando a fala ainda não é suficiente para a criança se comunicar. Saiba mais sobre CAA.
- ESDM, para as crianças menores, dentro da intervenção precoce.
O ecossistema de comunicação
Um dos maiores diferenciais da Decollare está em entender que a intervenção não pode ficar dentro da clínica. Uma criança autista passa a maior parte do tempo em casa e na escola. Se apenas a fonoaudióloga sabe como criar oportunidades de comunicação para ela, o progresso fica lento.
Por isso, construímos o que chamamos de ecossistema de comunicação: orientamos e treinamos pais, avós, cuidadores, professoras e auxiliares para que todos usem estratégias parecidas e criem oportunidades ao longo do dia. A criança encontra o mesmo jeito de se comunicar em todos os lugares, e isso faz muita diferença.
Nosso objetivo é construir uma rede de pessoas capazes de compreender a comunicação da criança e de criar oportunidades reais para ela se desenvolver.
Para quem é
- Crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, de 9 meses a 10 anos.
- Crianças com sinais de risco para autismo, mesmo antes do diagnóstico fechado. A intervenção não precisa esperar o laudo.
- Crianças autistas que falam, mas não usam a fala para se comunicar de forma funcional (ecolalia, falas de desenhos, dificuldade em pedir ou responder).
- Crianças autistas que não falam ou falam muito pouco e precisam de CAA.
- Famílias que querem aprender a criar oportunidades de comunicação no dia a dia.
O que a família pode esperar
- Comunicação funcional: a criança consegue pedir, recusar, escolher e chamar atenção de um jeito que os outros entendem.
- Ampliação da compreensão e da expressão da linguagem.
- Mais participação nas atividades de casa e da escola.
- Menos frustração e, com ela, menos comportamentos ligados à dificuldade de se comunicar.
- Mais autonomia para expressar desejos, necessidades, escolhas e interesses.
- Consistência entre os ambientes que a criança frequenta.
- Pais e cuidadores capacitados para continuar o trabalho na rotina.
Como são as sessões
As sessões são planejadas a partir dos interesses da criança. Brincadeiras, músicas, objetos preferidos e situações da rotina viram contextos para ensinar comunicação. A família acompanha e aprende as estratégias para usar em casa. Registramos a evolução de forma objetiva e ajustamos o plano em reavaliações periódicas.
Quando a criança já tem outros profissionais (psicólogo, terapeuta ocupacional, neuropediatra), alinhamos objetivos para que todo mundo trabalhe na mesma direção.